A maior parte dos problemas que uma gráfica encontra não está no design, está no PDF final. Cores em RGB, imagens em baixa resolução, fontes em falta, sem bleed. O bom é que exportar um PDF profissional é quase sempre uma questão de carregar nos botões certos. Este é o guia para o fazeres bem, qualquer que seja o teu programa.

No fim, podes confirmar tudo no nosso Inspetor de PDF para impressão, larga lá o ficheiro e ele diz-te se está pronto.

O que torna um PDF “pronto para impressão”

Independentemente do programa, um bom PDF de impressão tem cinco coisas:

  1. Cor em CMYK (ou com cores Pantone bem definidas), nunca RGB, vê CMYK ou RGB.
  2. Imagens a 300 DPI ao tamanho final, vê o guia do DPI.
  3. Bleed de 3 mm e margem de segurança, vê bleed e linha de corte.
  4. Fontes incorporadas (ou texto em curvas).
  5. Norma PDF/X sempre que possível, vê PDF/X-1a vs X-4.
A regra de ouro

Quando a gráfica te der um perfil de cor (ex.: FOGRA39) ou um preset PDF, usa-o. Poupa-te a configurar tudo à mão e garante que o ficheiro fala a "língua" daquela máquina. Na dúvida, pergunta, uma gráfica profissional prefere responder antes do que corrigir depois.

Adobe InDesign

O InDesign foi feito para isto, por isso é o mais direto.

  1. Define o bleed logo na criação do documento (Ficheiro → Novo, secção Bleed e slug: 3 mm em todas as caixas).
  2. Ficheiro → Exportar → escolhe Adobe PDF (Print).
  3. Em Predefinição Adobe PDF, escolhe [PDF/X-4:2008] (ou o preset que a gráfica te deu).
  4. No separador Marcas e sangrias: ativa Marcas de corte e marca Utilizar definições de sangria do documento.
  5. No separador Saída: confirma que a Conversão de cor aponta para o perfil CMYK da gráfica.
  6. Exporta e abre o PDF para confirmar antes de enviar.

Adobe Illustrator

Ideal para logótipos, cartões e trabalhos vetoriais.

  1. Define o bleed em Ficheiro → Configuração do documento → Sangria (3 mm).
  2. Ficheiro → Guardar como → Adobe PDF.
  3. Em Predefinição, escolhe [PDF/X-4:2008] ou [PDF/X-1a:2001].
  4. Em Marcas e sangrias: ativa Marcas de recorte e Utilizar definições de sangria do documento.
  5. Atenção ao texto: o Illustrator incorpora as fontes automaticamente, mas se quiseres garantia absoluta, duplica o ficheiro e faz Tipo → Criar contornos (converte o texto em curvas) na cópia que vais imprimir.

Canva

O Canva é onde mais gente é apanhada de surpresa, porque a versão gratuita só trabalha em RGB.

  1. Faz o design com 3 mm de espaço à volta dos elementos importantes (o Canva não mostra guias de bleed reais).
  2. Partilhar → Transferir → tipo de ficheiro PDF para impressão (não o PDF normal).
  3. Ativa Marcas de corte e sangria.
  4. Em Gestão de cores, se tiveres Canva Pro, escolhe CMYK (perfil para impressão). Sem Pro, o PDF sai em RGB, a gráfica terá de converter, com resultado fora do teu controlo.
  5. Transfere e confirma o ficheiro.
Canva sem Pro

Se não tens Canva Pro, tens duas opções: pedir à gráfica que faça a conversão para CMYK (aceitando alguma variação de cor), ou converter o PDF noutro programa. O que não deves fazer é assumir que o RGB vai sair igual ao ecrã, não vai.

Microsoft Word e PowerPoint

Não são programas de pré-impressão, mas às vezes é o que há. Limitações: trabalham sempre em RGB e não fazem bleed. Servem para documentos simples (relatórios, cartas), não para trabalhos com cor até à borda.

  1. Ficheiro → Guardar comoPDF.
  2. Em Opções, escolhe PDF/A apenas se for para arquivo; para impressão deixa o PDF normal e marca Norma ISO 19005 desligada.
  3. Conta sempre com uma etapa de pré-impressão na gráfica (e o respetivo custo).

A “armadilha” das transparências

Sombras, esfumados e transparências (muito comuns em logótipos e fundos) podem comportar-se de forma estranha na impressão se forem achatadas mal. É aqui que entra a escolha da norma:

  • PDF/X-4 mantém as transparências “vivas” e deixa o RIP da gráfica tratá-las, é a escolha moderna recomendada.
  • PDF/X-1a achata tudo na exportação, mais seguro em fluxos antigos, mas pode criar problemas em sobreposições complexas.

Tens o tema todo explicado em PDF/X-1a vs X-4.

Confusões comuns

“Exportei em alta qualidade, logo está pronto.” “Alta qualidade” trata da compressão das imagens, não da cor nem do bleed. Um PDF lindo pode estar em RGB e sem sangria.

“Pus as imagens a 300 DPI, está resolvido.” 300 DPI ao tamanho final. Uma imagem de 300 DPI a 5 cm fica a 150 DPI se a esticares para 10 cm. Verifica sempre ao tamanho real.

“O PDF tem o texto, logo a fonte vai.” Só se estiver incorporada. Se a fonte não for incorporada, a gráfica vê outra letra (ou um aviso). Incorpora ou converte em curvas.

“Mandei marcas de corte, mas não pus bleed.” As marcas dizem onde cortar; o bleed é a tinta que se prolonga para além desse corte. Precisas dos dois.

A checklist final

Antes de carregar em “enviar”:

  1. CMYK (ou Pantone definido) ✔
  2. 300 DPI ao tamanho final ✔
  3. Bleed 3 mm + marcas de corte
  4. Fontes incorporadas ou em curvas
  5. PDF/X sempre que possível ✔

E o passo que poupa mais dores de cabeça: passa o PDF pelo Inspetor de PDF antes de o enviar. Em segundos sabes se há RGB, baixa resolução, fontes em falta ou falta de sangria, tudo no teu navegador, sem enviar o ficheiro para lado nenhum.